domingo, 3 de novembro de 2013

“Cascata de palavras de Cora Coralina” no Vila Cultural Cora Coralina, Goiânia, Goiás


Recentemente foi inaugurada em Goiânia, Goiás, uma exposição comemorativa dos 80 anos da cidade. Segmentada em cinco temas (Arquitetura/História, Gastronomia, Cultura, Natureza e Pessoas), a exposição chamou a atenção pela forte presença das novas tecnologias. Dentre diversas formas de interação com o público, foi feita uma instalação onde os visitantes interagem com poemas de Cora Coralina, referência literária do estado e do país. De todos os recursos utilizados, destacou-se a utilização do Kinect, aparelho que, através de um sensor de movimentos, lê alguns pontos do corpo e realiza ações a partir de comandos corporais de movimentação.
O Kinect revolucionou a maneira como é jogado o videogame, e vem sendo adotado em situações onde o usuário promove gestos objetivando a efetivação da interação. No caso da “Cascata de Palavras de Cora Coralina”, o procedimento adotado propõe o contato do público com a obra literária de Cora Coralina a partir de uma brincadeira, onde o usuário precisa “tocar” nas palavras que estão caindo para que elas componham o trecho da poesia. Caso o usuário não “toque” na palavra, terá que aguardar algum tempo para alcançar êxito no procedimento, e dessa forma, reunir todas as palavras necessárias para completar o poema, finalizando a “tarefa” interativa. Além de ação intuitiva e fluida, o Kinect realiza uma interação com uma Interface Natural do Usuário - NUI, que concede mais controle e poder ao usuário (WIGDOR & WIXON, 2011).

Vitrine da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda-PE



Utilizando criatividade, é possível obter bons resultados no nível de interação visitante-acervo, mesmo que essa troca aconteça apenas no nível mental. Esse é o caso da exposição de longa duração da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, interior de Pernambuco.
Composta em parte por peças arqueológicas e paleontológicas encontradas nos quintais dos moradores da cidade, a exposição traz junto às peças etiquetas de identificação com os dados fundamentais de documentação como material e procedência. Para que os visitantes melhor compreendam o que é a peça e qual o seu uso, a etiqueta utiliza uma forma criativa e eficaz: um desenho feito a lápis de cor pelas crianças da própria comunidade ilustrando como a peça é utilizada e qual sua função. Visto dessa forma, parece uma solução simplória, mas que dificilmente vemos em museus que partem do princípio que o visitante conhece materiais, formas e jargões técnicos. Essa solução low-tech permite ao visitante apropriar-se imediatamente da informação e interagir mentalmente com a peça imaginando seu uso.