segunda-feira, 10 de junho de 2013

Amana a água
De teu sumo
Que escorre
E me entorpece
Me cobre e me veste
No calor do ventre

Amana a água
Um licor
Que me enrijece
Me enlaceia
E me enlouquece
Me alimenta
E me sufoca

Amana água
Do teu peito
Sal e fruta
Bicho, pêlo
Pele
Abunda
Pé e cabelo
Dorso e unha

Amana a água
Meu maná
Dá de comer
De teu ventre
Deixa que eu entre
E me esvazie
E te encha
E te aporrinhe
Me larga solto
Bicho vadio

Amana água
Minha
molhe a boca
Tua
Barba, bafo
Morde a nuca
Nua pele faz tremer

Amana água
Toda anágua
Se desveste
E desabotoa
A gruta
Quente
Lábios toma
E me fere
E me faz
Querer.

[Fortaleza, janeiro de 2013.]

Nenhum comentário:

Postar um comentário