[Esta eu compus especialmente para um encontro muito especial de amigos que, entre outras coisas em comum, todos estavam ou tinham estado na condição de "degredados", expulsos de nossa terra pela falta de oportunidades profissionais, cumprindo a pena por ousar demais, mas levando sempre o desejo de voltar e ajudar a construir uma outra situação.]
O caba que sai da sua terra
atrás de um trabalho pra sobreviver
A gata que entra na onda
e vive da bolsa CNPq
Humanas pessoas que migram
todos os anos pra fora daqui
Talentos que sempre perdemos
rebentos atentos mal tem pr'onde ir
Sou degredado eu sou
Vou, vou pra longe vou
Mas, negada, pode me esperar
Um dia eu volto pras banda de cá
Descobrem_a solidariedade
em outras cidades no sul do país
Recorrem a amigos de amigos,
cunhados e primos, irmãos do vizim.
Encaram adversidades,
universidades, empresas, concursos
Suspeitam que a vivacidade
se vai com a idade, a distância e o percurso
Sou degredado eu sou
Vou, vou pra longe vou
Mas, negada, pode me esperar
Um dia eu volto pras banda de cá
Vencem a discriminação
pelo fenótipo atípico e a testa espraiada
Integram o alto escalão
de bares, empresas, e salas de aula
No fundo, cada um de nós
alimenta a esperança de um dia voltar
Pra gozar do abraço e do afeto,
putaria e dos ventos do nosso Ceará.
[Da esquerda para a esquerda (pra direita é o carái!) passando pelo centro: Gyl Giffony (o Bertolt Brecht do Benfica), Rodrigo Vieira (o Rui Barbosa da P.I.), M. Platini Fernandes (o Gustavo Barroso do Pirambu) e Natan Garcia (o Cartier-Bresson da Praia de Iracema). Só a nata do luxo do lixo da aldeia alencarina... Bar do Arlindo, Fortaleza, 26 de dezembro de 2012.]

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