domingo, 16 de junho de 2013

Da série: "A vida como não é nas novelas"... Capítulo VIII

Capítulo VII: 
Na budega do Seu Remela, Zé Maria estava inquieto cortando as unhas dos pés no balcão enquanto Gildeclei pedia meio pão passado.
- Eu nunca entendi direito o que o Walter Benjamin quis dizer representando o materialismo histórico como "um fantoche vestido à turca, com um narguilé na boca" no primeiro aforismo de "Sobre o conceito da História".

Enrolando o pão no papel, Seu Remela dá de ombros e resmunga. - Hum.
O inconformado Zé Maria continua budejando:
- Porra, já havia uma produção marxista consistente nos anos 1930. Como ele pôde fazer uma crítica dessas?
Gildeclei, querendo ser as prega, explica tácita e pausadamente como falasse a um imberbe mentecapto:
- Funciona assim. O jogador de xadrez que faz as jogadas erradas e sempre perde é o Delfim Netto. O anão jogando pelo materialismo histórico é o Garry Kasparov. O Caio Prado Júnior é o fantoche, o intelectual que sempre acerta todas em seu gabinete, mas se borra todo quando é chamado pra assumir o ministério. Entendeu?
Seu Remela dá de ombros e ergue a sobrancelha consentindo rigor à explicação didática de Gildeclei. Zé Maria não se conforma.
- Como o Kasparov poderia esconder-se embaixo de um tabuleiro, isso é ridículo e impossível! Ele nem é anão...
-É uma metáfora, imbecil.

Toca a trilha sonora:
http://www.youtube.com/watch?v=ZJ9ujH-udgw

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