Verbete: POLÍTICA.
Pedro Aguiar Tavares foi chamado certa vez para um programa matinal de culinária voltado para donas de casa. O velho comunista fazia suas conhecidas metáforas enquanto cozinhava.
- Há quem sustente que o orégano não vai bem com salsicha, porque é fritura e não combina. Mas é o tipo de prato que você só vê com quem tem compromisso com o social, quem consegue pensar a realidade para além de sua janela de apartamento no bairro do Jockey Clube, em Teresina-PI. Marilena Chauí, José de Abreu, Pedro de Lara e Glória Peres.
Intrigado, o fantoche de papagaio da apresentadora perguntou:
- E um polengui no pão antes de finalizar, cai bem, Pedro?
- Polengui?! Olha, eu vou pedir desculpas a você, e não quero ser mal interpretado, mas é que esse seu comentário me lembrou um versinho que debatíamos na Quarta Internacional: "O velho comunista se aliançou / Ao rubro do rubor do meu amor / O brilho do meu canto tem o tom / E a expressão da minha cor". Quem canta "Vermelho" da banda Carrapicho sem emoção no coração, sem levar em consideração as questões étnicas e de classe envolvidas não passa de um facínora iconoclasta que quer à fina força impor sua ideologia burguesa no nosso país tão ferido pela intensa desigualdade social. E aposto que o polengui em questão é "light". O que nos remete à tentativa cruel de impor um padrão de beleza para as pessoas. Adib Jatene, Miguel Falabella, Pimenta da Veiga e Maílson da Nóbrega.
Diz-se que nunca mais Pedro Aguiar Tavares foi chamado a nenhum programa de TV. Alguns afirmam que é uma estratégia da mídia burguesa para não dar espaço a um dos grandes intelectuais de nosso tempo. Outros dizem que o velho comunista é meio insosso nos meios de comunicação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário